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O rotativo do cartão chegou a 440,5% ao ano segundo o Banco Central. Entenda como funciona, por que a taxa é tão alta e como evitar cair nele.
De todas as formas de crédito disponíveis no Brasil, o rotativo do cartão é, disparado, a mais cara. Segundo o Banco Central, o juro médio cobrado pelos bancos nessa modalidade chegou a 440,5% ao ano em novembro de 2025 — um número tão alto que muita gente não acredita até ver a própria fatura.
O rotativo entra em ação quando você paga só uma parte da fatura — o mínimo, por exemplo — e deixa o restante para o mês seguinte. A partir do dia seguinte ao vencimento, o saldo não pago passa a render juros diários, calculados sobre o valor em aberto. Diferente do parcelamento, que tem prazo e valor fixos, o rotativo é pensado para ser uma solução de poucos dias, não um jeito de “esticar” o pagamento por meses.
O rotativo do cartão não tem garantia nenhuma para o banco — diferente do consignado, por exemplo, que desconta a parcela direto da folha. Some a isso o fato de que, por lei, o banco só pode manter o cliente no rotativo por até 30 dias; depois disso, é obrigado a oferecer o parcelamento da dívida com juros menores. Ainda assim, mesmo esse parcelamento “de saída do rotativo” está longe de ser barato: a taxa média do crédito parcelado (a modalidade que sucede o rotativo) estava em 181,2% ao ano no mesmo levantamento do Banco Central — menos da metade do rotativo, mas ainda um dos créditos mais caros do mercado.
Com uma taxa anualizada acima de 400%, o efeito dos juros compostos é agressivo: uma dívida de R$ 1.000 deixada no rotativo por três meses seguidos, sem nenhum pagamento adicional além do mínimo, pode praticamente dobrar de tamanho nesse período. É esse mecanismo que transforma uma fatura apertada em um problema bem maior poucos meses depois.
Se a fatura já entrou no rotativo, o pior erro é deixar o ciclo se repetir. Cada mês que passa sem pagamento integral soma juros sobre juros. Vale negociar diretamente com o banco a migração para uma modalidade de juros mais baixos, ou considerar outra linha de crédito para quitar a dívida de uma vez — quase qualquer outro empréstimo disponível no mercado sai mais barato que manter o saldo no rotativo por vários meses.
Fontes: Banco Central do Brasil (via CNN Brasil e Mais Retorno).