Desde 2026, trabalhadores com carteira assinada ganharam uma nova opção de crédito: usar o FGTS como garantia em empréstimos consignados, com condições que tendem a ser mais baratas que o empréstimo pessoal comum. Mas a modalidade tem regras específicas que vale entender antes de contratar.
Como funciona a garantia
O trabalhador pode oferecer até 10% do saldo líquido do FGTS como garantia do empréstimo. Esse valor fica bloqueado na conta do FGTS na Caixa Econômica Federal durante o período do contrato — mas continua sendo propriedade do trabalhador, não é transferido para o banco nem sai da conta.
O que acontece se o contrato de trabalho terminar
Se o trabalhador for demitido sem justa causa, tiver rescisão indireta reconhecida, houver culpa recíproca ou força maior, o valor bloqueado do FGTS é usado automaticamente para quitar o saldo devedor do empréstimo que ainda estiver em aberto. Em outras situações — como pedido de demissão por conta própria fora dessas hipóteses — as regras de uso do valor bloqueado podem ser diferentes, e vale confirmar diretamente com a instituição financeira antes de assinar o contrato.
Quem não pode usar essa modalidade
Trabalhadores que já optaram pelo saque-aniversário do FGTS não podem usar o fundo como garantia nesse tipo de empréstimo. Isso acontece porque, no saque-aniversário, o trabalhador não tem acesso ao saldo integral do FGTS em caso de demissão sem justa causa — só à multa rescisória — o que inviabiliza a garantia que sustenta esse crédito.
Por que a taxa tende a ser menor
Assim como no consignado tradicional, ter uma garantia real reduz o risco para quem empresta, e esse risco menor normalmente se traduz em juros mais baixos que o empréstimo pessoal sem garantia. Ainda assim, vale comparar o Custo Efetivo Total (CET) entre diferentes bancos antes de contratar — a existência de uma garantia não significa automaticamente que a primeira oferta recebida é a mais barata do mercado.
O que pesar antes de contratar
- O valor fica indisponível durante o contrato — mesmo continuando seu, você não pode sacar essa fração do FGTS enquanto o empréstimo estiver ativo.
- Vale simular o impacto em uma eventual demissão — se você já contava com aquele saldo do FGTS para algum planejamento, o valor comprometido como garantia reduz o que sobra disponível.
- Comparar com outras opções de consignado — dependendo do seu perfil (servidor público, por exemplo), pode haver modalidades de consignado ainda mais baratas disponíveis.
Fontes: Serasa, MeuTudo (com base em regulamentação do governo federal, 2026).
