Quem precisa de dinheiro emprestado costuma ouvir a mesma recomendação: “procure o consignado, é mais barato”. É verdade — mas a diferença de custo entre o consignado e o empréstimo pessoal comum é maior do que a maioria imagina, e essa vantagem de taxa vem acompanhada de um risco que pouca gente avalia antes de contratar.
Quanto custa cada um, em números
O empréstimo consignado para aposentados e pensionistas do INSS tem teto de 1,85% ao mês, definido pelo Conselho Nacional de Previdência Social. Para servidores públicos federais, o teto do consignado costuma ficar em torno de 1,80% ao mês. Já o crédito pessoal não consignado — aquele sem desconto automático em folha ou benefício — teve taxa média de 8,30% ao mês (o equivalente a 160,2% ao ano) segundo pesquisa do Procon-SP com bancos, divulgada em março de 2026.
Na prática, isso significa que o consignado pode custar menos da metade da taxa mensal do empréstimo pessoal comum — às vezes uma fração bem menor que isso, dependendo do banco.
Por que o consignado é tão mais barato
A diferença de preço não é acaso: no consignado, a parcela é descontada diretamente da folha de pagamento, do benefício do INSS ou do contracheque do servidor, antes mesmo do dinheiro chegar à conta do cliente. Isso reduz drasticamente o risco de calote para quem empresta, e esse risco menor é repassado como taxa de juros menor. No empréstimo pessoal comum, o banco depende do cliente pagar por conta própria todo mês, sem garantia automática — por isso a taxa é mais alta, para compensar a inadimplência esperada.
O risco que a taxa baixa esconde
O desconto automático do consignado tem um limite legal — a chamada margem consignável, que costuma girar em torno de 35% da renda para o consignado tradicional. Uma vez comprometida essa margem, ela fica reservada para aquele contrato durante todo o prazo, geralmente longo (algumas modalidades chegam a 84 ou 96 meses). Isso reduz a flexibilidade financeira do tomador por anos, mesmo que a vida mude no meio do caminho — troca de emprego, redução de renda, outra necessidade urgente de crédito.
Já o empréstimo pessoal comum, apesar de mais caro, costuma ter prazos mais curtos e não compromete uma parcela fixa da renda por anos — o que dá mais liberdade para quitar antecipadamente ou renegociar se a situação financeira mudar.
Quando cada um faz mais sentido
Para quem tem acesso ao consignado (aposentados, pensionistas, servidores públicos e, em menor escala, empregados CLT com consignado privado disponível) e precisa de um valor considerável com prazo longo, o consignado tende a sair mais barato mesmo considerando o compromisso de longo prazo. Já para quem precisa de um valor menor, por um período curto, ou não quer comprometer a margem consignável por anos, o empréstimo pessoal — apesar do custo mais alto — pode ser a opção com menos amarras.
Antes de contratar qualquer um dos dois
Vale sempre simular o Custo Efetivo Total (CET), que reúne juros, tarifas e seguros embutidos no contrato — é esse número, e não só a taxa de juros anunciada, que mostra o custo real do empréstimo. Compare o CET entre pelo menos três instituições antes de fechar negócio, já que a diferença entre bancos costuma ser significativa mesmo dentro da mesma modalidade.
Fontes: Serasa, Procon-SP.
