Muita gente pensa no score de crédito como uma nota misteriosa, calculada por um algoritmo secreto que ninguém entende. Na prática, os critérios são conhecidos e publicados pelos próprios birôs de crédito — o problema é que boa parte do que circula por aí sobre “como aumentar o score” mistura informação real com achismo. Veja o que realmente entra na conta.
O histórico de pagamento é o fator de maior peso
Contas pagas em dia, parcelas quitadas dentro do prazo e ausência de negativações recentes são o que mais pesa na nota. Isso inclui não só cartão de crédito e empréstimo, mas também contas de consumo (água, luz, telefone) quando estão registradas no cadastro positivo. Um atraso pontual pesa menos do que um padrão repetido de atrasos — o score olha para tendência, não só para um evento isolado.
Dívidas em aberto e nível de endividamento
Quanto maior a proporção entre o que você deve e a sua renda ou limite disponível, mais a nota tende a cair. Isso vale tanto para dívidas em atraso quanto para o uso constante de um limite de cartão muito próximo do teto — mesmo pagando a fatura em dia, usar 90% do limite todo mês sinaliza dependência de crédito, o que os birôs interpretam como risco maior.
Tempo de relacionamento com o mercado de crédito
Ter contas, cartões e financiamentos ativos há mais tempo tende a ajudar a nota, porque mostra um histórico mais longo para avaliar. É por isso que quem está começando a vida financeira — jovens adultos, por exemplo — costuma ter score mais baixo mesmo sem nenhuma dívida ou atraso: simplesmente ainda não existe histórico suficiente para o birô avaliar.
Diversidade e tipo de crédito utilizado
Usar diferentes tipos de crédito de forma equilibrada (cartão, financiamento, crediário) e quitá-los normalmente tende a construir um perfil mais completo do que depender de um único tipo de operação, especialmente as de juros mais altos, como o crédito rotativo do cartão ou o cheque especial.
Comportamento de consulta ao crédito
Pedir crédito em várias instituições em um curto espaço de tempo pode sinalizar necessidade urgente de dinheiro, o que os birôs tendem a considerar um sinal de atenção. Isso é diferente de consultar o próprio CPF, que não afeta o score de forma alguma — é um mito comum achar que “olhar o próprio score” prejudica a nota.
Mitos que atrapalham mais do que ajudam
- “Pagar para aumentar o score rápido” — não existe serviço legítimo que garanta um número específico de pontos; ofertas assim costumam ser golpe.
- “Ter score alto garante aprovação de crédito” — o score é um dos critérios usados pelas instituições, mas cada uma tem sua própria política interna, que também considera renda, relacionamento bancário e o valor pedido.
- “Score zerado significa nome sujo” — na verdade, score baixo ou zerado geralmente significa falta de histórico, não necessariamente dívida.
O que realmente ajuda a melhorar a nota
Pagar contas em dia de forma consistente, manter o uso do limite do cartão abaixo de 30% sempre que possível, ativar o cadastro positivo e evitar múltiplas solicitações de crédito em um curto período são as ações com respaldo real nos critérios divulgados pelos birôs — não existe atalho além disso.
Fontes: Serasa.
