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A liquidação do Banco Master, decretada pelo Banco Central em novembro de 2025, segue rendendo novos desdobramentos e teorias nas redes sociais. Entenda o que realmente aconteceu, o que ainda está sob investigação e por que o boato de que Nubank, Inter e Itaú “vão quebrar” é falso.
O Banco Master virou um dos maiores escândalos financeiros recentes do país, e o caso continua se desdobrando quase toda semana: novas operações da Polícia Federal, embates entre Banco Central, TCU e Congresso, e uma onda de mensagens em grupos de WhatsApp e redes sociais espalhando medo sobre a segurança do dinheiro guardado em bancos digitais. Mas afinal, o que é fato comprovado e o que é boato nessa história? Reunimos abaixo o que se sabe até agora.
O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master em 18 de novembro de 2025, depois de rejeitar a proposta de aquisição da instituição pelo Banco Regional de Brasília (BRB). O motivo apontado foi risco excessivo e falta de documentação que comprovasse viabilidade econômico-financeira do negócio.
A investigação que veio depois revelou um esquema de “maquiagem contábil”: o banco teria inflado o balanço em cerca de R$ 11,5 bilhões em ativos considerados fictícios, usando parcerias com fundos ligados à gestora Reag para empurrar para frente dívidas problemáticas. No dia da liquidação, o Master tinha apenas R$ 4,8 milhões em caixa disponível, mesmo tendo R$ 48,6 milhões em CDBs vencendo naquele mesmo dia — e havia recolhido menos de 1% do depósito compulsório de R$ 2,53 bilhões exigido pelo Banco Central.
Um dos desdobramentos mais recentes do caso mostra que o Banco Master repassou R$ 3,6 bilhões em créditos de dívidas para fundos geridos ou ligados à Reag Investimentos, por meio de 112 operações realizadas entre 2021 e 2025. A Polícia Federal investiga se essas operações serviram para inflar artificialmente os balanços do banco e abrir espaço para a emissão de novos CDBs a investidores.
A Reag, gestora por trás de parte dessas operações, é investigada por suspeita de fraude financeira, manipulação de dados e lavagem de dinheiro ligada ao setor de combustíveis — com apontamentos de conexão com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Em vários casos identificados pelos investigadores, empréstimos eram formalizados e repassados no mesmo dia, um padrão que, segundo a apuração, servia para transferir prejuízos para os fundos de investimento em vez de reconhecê-los no balanço do banco.
O caso também virou um embate entre poderes. O Tribunal de Contas da União (TCU) abriu inspeção para questionar a documentação usada na decisão de liquidação. O Supremo Tribunal Federal, por meio do ministro Dias Toffoli, determinou acareações entre executivos do banco e reguladores. E no Congresso, avançaram articulações para uma CPMI e até pedidos de impeachment envolvendo ministros do STF — numa disputa que mistura investigação técnica com disputa política em torno da autonomia do Banco Central.
Não. Quem tinha CDBs e outros depósitos garantidos no Banco Master está sendo ressarcido pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), o mecanismo de proteção que existe justamente para isso: cobre até R$ 250 mil por CPF, por instituição. O FGC iniciou os pagamentos aos clientes do Master ainda no início de 2026, e o processo tem seguido o rito padrão aplicado a outras liquidações bancárias no Brasil.
Com a repercussão do caso, viralizaram mensagens afirmando que a liquidação do Master (e do Will Bank, outro banco digital afetado por problemas na mesma época) seria o início de uma “crise em cadeia” que levaria à falência de bancos como Nubank, Inter, C6 e até o Itaú — em comparações alarmistas com crises bancárias do passado.
Essa afirmação é falsa, e por alguns motivos bem concretos:
Fontes: Seu Dinheiro, Gazeta do Povo, Brasil 247, Agência Brasil, BoraInvestir (B3), Boatos.org.